Discutem mais uma vez.
Bate violentamente com a porta.
"Foi a última vez" - jura a si própria.
Sai sem destino, raciocínio toldado pelos nervos.
Conduz estrada fora.
Vê a cidade pelo retrovisor.
"Não sei".
Continua a rumar indefinidamente enquanto os álamos passam por ela.
O sol de fim de tarde junta-se-lhe às lágrimas de raiva, obrigando-a a
parar o carro.
Não sabe quanto andou.
Não sabe onde está.
Havia tão pouco tempo que ela estava naquela parte do País, após ter
largado tudo sem hesitar.
Deparou-se com um motel de beira de estrada.
Subitamente, apercebeu-se da sua exaustão mental.
A sua cabeça latejava.
Resolveu entrar para descansar.
Fez o check-in na modesta recepção.
Todo o ambiente era estranhamente familiar frio.
Sentou-se no bar, deliciou-se com um pôr-do-sol como nunca vira,
acompanhado de um gin tónico que até nunca tinha gostado...
Deixando esvaír a última baforada do seu cigarro, encaminhou-se para o
seu quarto.
Amanhã pensaria no acontecera.
Ao chegar ao quarto, depara-se com a porta em frente semi-aberta.
Não se conteve e espreitou.
Um homem dormia sobre a cama feita de lavado.
Ficou a admirá-lo como se fosse a primeira vez que via um homem.
De sono leve, ele acorda e fita-a nos olhos.
Ela avança e despe-se num ápice.
Beijam-se sofregamente, envoltos em luxúria desconhecida.
Agarra as suas coxas lívidas e possui-a.
Sexo desenfreado.
Gemem de prazer fortuito e desvinculado.
Êxtase anónimo.
Ela levanta-se e veste-se, despedindo-se com um piscar de olho
cúmplice, enquanto ele sucumbe ao prazer das endorfinas, adormecendo
de novo na cama por fazer...
Ela finalmente entra no seu quarto para finalmente repousar em paz.
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O sol ergue-se em todo o seu esplendor.
Ela jaz imóvel no chão do seu quarto.
Enforcara-se no cabo de aço que prende o comando do televisor.
E assim mais um dia nasceu.

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