quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

131013

I

Esta prisão mental
Este sufoco
Agonia das palavras que não saem
Este górdio emocional que teima ser sempre meu
Esta certeza da instabilidade ser a única coisa estável em mim
Abate-me
Mói-me
As minhas forças são as minhas maiores fraquezas.

II
O Amor Redentor
- que se faz tardar -
Maior que a Vida
Maior que o Tempo

O Amor Apaziguador
- que se esconde entre os minutos atarefados -
Mais forte que o medo
Mais forte que a morte

O Amor-Próprio
- que sempre viveu obscuro -
É hora de chegar ao Sol
É hora de prevalecer
É hora de Viver!

III
O escorrer lento dos tempos...
 - esses, que teimam em arrastar amores pelos dias passados -
Bem-aventurados os de pouca memória - que nem resíduos de dor levam para o deitar.

IV
Alimento as minhas dores, como se estimação fossem (algumas são-no, lembram-me que estou viva...).
Nutro-as, elas acompanham-me.

São muito mais reais e minhas do que vãs promessas amorosas que se diluem com o cair das primeiras chuvas.

V
Nada preenche este vazio
- de quê? de quem?

Vazio meu conhecido de longa data, meu irmão, meu refúgio, minha perdição...
Entre incontáveis tabletes de uva, erva e saliva me perdi e nunca me encontrei...

VI
Não te posso pedir que não desistas de mim, pois eu própria não apostaria neste cavalo.
Intempestuoso, dócil mas colérico, garanhão, só serenava a cobrir ou a comer. Ou em aditivos.
Nem por isso alguma vez ganhou alguma corrida.
Nem Sozinho.

VII
A mim melíflua
A eu serena
A ego descentrada

A El, almejada.

É-me o Espírito sacudido por este desassossego.
Apazigua-me a música, principalmente a que oiço sintonizada na rádio interior.

Ao dedilhares esta Portuguesa, como dedilhas a Outra, a Primeira, a verdadeira, sucumbo em dor antiga.
Dor que se tornou minha pelo tempo que já passou.
Dor que já não sei a origem.
Dor que é e que não deixa Ser.

VIII
O fim anunciado de uma fase
A Lua que se vai tornar Nova, tendo se estar longe do Mundo para a renovação.
Não fujo.
Nunca mais.
Nunca mais fugirei de mim.
Sou o que Sou.

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