quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

10



Há 10 anos, enquanto biliões festejavam a chegada de um novo ano, nós despedíamo-nos de ti.

Há uma década que vivemos das memórias dos teus ensinamentos, tão Crísticos, de Amor ao próximo, de abraço pronto, de semear o bem.

Há um sem fim de tempo que corre uma lágrima interna e eterna.

Há milhões de anos, desde o meu sempre, que sorrio porque te conheci, porque te amei, porque de ti surgi Vida.

O Amor que semeaste minha Mãe, vive a cada bater do nosso coração, destes que te lembram a cada respirar e que te vêm a sorrir em cada estrela.

Hoje não choro, mas sim comemoro a VIDA, essa que me deste e que celebro diariamente.

***

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Carrarra estatuário

"Lembro-me de ti no Outono passado
Usavas boina verde, que eu descobria com os dedos.
Deixei-te cair
Minhas mãos vestiram-te nessas noites sentindo o meu corpo no teu.

Lembro-me de ti nesse Outono
Respirei-te entre mão, boca, sexo
E uma rosa soltou-se, voando como um beijo, no teu peito.












Provei-te. Amei."

Happiness is the road

Discutem mais uma vez.
Bate violentamente com a porta.
"Foi a última vez" - jura a si própria.
Sai sem destino, raciocínio toldado pelos nervos.
Conduz estrada fora.
Vê a cidade pelo retrovisor.



"Não sei".












Continua a rumar indefinidamente enquanto os álamos passam por ela.

O sol de fim de tarde junta-se-lhe às lágrimas de raiva, obrigando-a a
parar o carro.

Não sabe quanto andou.
Não sabe onde está.

Havia tão pouco tempo que ela estava naquela parte do País, após ter
largado tudo sem hesitar.

Deparou-se com um motel de beira de estrada.

Subitamente, apercebeu-se da sua exaustão mental.
A sua cabeça latejava.

Resolveu entrar para descansar.
Fez o check-in na modesta recepção.
Todo o ambiente era estranhamente familiar frio.

Sentou-se no bar, deliciou-se com um pôr-do-sol como nunca vira,
acompanhado de um gin tónico que até nunca tinha gostado...

Deixando esvaír a última baforada do seu cigarro, encaminhou-se para o
seu quarto.
Amanhã pensaria no acontecera.

Ao chegar ao quarto, depara-se com a porta em frente semi-aberta.

Não se conteve e espreitou.
Um homem dormia sobre a cama feita de lavado.

Ficou a admirá-lo como se fosse a primeira vez que via um homem.

De sono leve, ele acorda e fita-a nos olhos.

Ela avança e despe-se num ápice.
Beijam-se sofregamente, envoltos em luxúria desconhecida.

Agarra as suas coxas lívidas e possui-a.
Sexo desenfreado.
Gemem de prazer fortuito e desvinculado.
Êxtase anónimo.

Ela levanta-se e veste-se, despedindo-se com um piscar de olho
cúmplice, enquanto ele sucumbe ao prazer das endorfinas, adormecendo
de novo na cama por fazer...

Ela finalmente entra no seu quarto para finalmente repousar em paz.

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O sol ergue-se em todo o seu esplendor.

Ela jaz imóvel no chão do seu quarto.
Enforcara-se no cabo de aço que prende o comando do televisor.

E assim mais um dia nasceu.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Egotrack



Farta de te procurar em todos à minha volta, deixando o ónus da minha felicidade sempre em mãos alheias, decidi acatar o que talvez fosse o meu desígnio, o de estar sozinha.

De imediato me encontrei, pois só no silêncio da Alma pude perceber que era Eu quem me faltava.

Eu sou o meu final feliz, pois a Felicidade É o caminho.


E esse... faz-se caminhando!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Prestes

Ainda tenho moldado no meu corpo a força do teu abraço.
Prestes a senti-lo de novo, a respirarmos o mesmo ar, suspensos num momento eterno de ternura, cumplicidade e nosso.
Aqueles momentos que fazem parar os relógios da vida lá fora, que fazem o sangue borbulhar como borboletas no campo de papoilas ao sol de Maio.

Prestes a agarrar as tuas mãos nas minhas, encostá-las aos corações, num batimento único de um suspiro.
Amo-te Amo-te Amo-te
Três vezes três
Ontem, hoje, amanhã.

És meu e eu tua até acabar o fim das gotas de chuva que limpam as almas e onde escorrem pecados que nunca foram nossos, pois o nosso Amor é alvo de nascença, dá sem receber e espera andando.

Temos caminhando o nosso caminho, e mais uma vez, há pontas que não se soltam.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

131013

I

Esta prisão mental
Este sufoco
Agonia das palavras que não saem
Este górdio emocional que teima ser sempre meu
Esta certeza da instabilidade ser a única coisa estável em mim
Abate-me
Mói-me
As minhas forças são as minhas maiores fraquezas.

II
O Amor Redentor
- que se faz tardar -
Maior que a Vida
Maior que o Tempo

O Amor Apaziguador
- que se esconde entre os minutos atarefados -
Mais forte que o medo
Mais forte que a morte

O Amor-Próprio
- que sempre viveu obscuro -
É hora de chegar ao Sol
É hora de prevalecer
É hora de Viver!

III
O escorrer lento dos tempos...
 - esses, que teimam em arrastar amores pelos dias passados -
Bem-aventurados os de pouca memória - que nem resíduos de dor levam para o deitar.

IV
Alimento as minhas dores, como se estimação fossem (algumas são-no, lembram-me que estou viva...).
Nutro-as, elas acompanham-me.

São muito mais reais e minhas do que vãs promessas amorosas que se diluem com o cair das primeiras chuvas.

V
Nada preenche este vazio
- de quê? de quem?

Vazio meu conhecido de longa data, meu irmão, meu refúgio, minha perdição...
Entre incontáveis tabletes de uva, erva e saliva me perdi e nunca me encontrei...

VI
Não te posso pedir que não desistas de mim, pois eu própria não apostaria neste cavalo.
Intempestuoso, dócil mas colérico, garanhão, só serenava a cobrir ou a comer. Ou em aditivos.
Nem por isso alguma vez ganhou alguma corrida.
Nem Sozinho.

VII
A mim melíflua
A eu serena
A ego descentrada

A El, almejada.

É-me o Espírito sacudido por este desassossego.
Apazigua-me a música, principalmente a que oiço sintonizada na rádio interior.

Ao dedilhares esta Portuguesa, como dedilhas a Outra, a Primeira, a verdadeira, sucumbo em dor antiga.
Dor que se tornou minha pelo tempo que já passou.
Dor que já não sei a origem.
Dor que é e que não deixa Ser.

VIII
O fim anunciado de uma fase
A Lua que se vai tornar Nova, tendo se estar longe do Mundo para a renovação.
Não fujo.
Nunca mais.
Nunca mais fugirei de mim.
Sou o que Sou.

Não há fumo sem fogo

"Fumo"


"Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!"
Florbela Espanca


E fogo és tu
Elemento elementar
Precioso e fulcral
Oxigénio e jasmim
Lama e tijolo em mim
Capim, macieiras e rosas
Pés, mãos feitas de suave pedra
Pensamentos que edificam sonhos
E sonhos que sustentam respirações
Imaginar amanhã em ti
Ousar escalar o laranja da tua aura
Embeber-me de azul e ser Tua até ao fim das gotas de água.

16/06/2011

X


Dez.
Dezembro. 

Dez anos.

Dez anos que nos separam.
Ainda o gosto dos teus lábios nos meus.
Ainda o quente do nosso abraço.
Ainda o teu colo a enxugar as minhas eternas lágrimas.
Ainda o teu olhar de estrelinhas por cima dos óculos, com uma garra de vida e doçura a olhar os meus olhos, curiosos, tímidos e sedentos de vida, de amor, do teu amor, do nosso amor, nascido entre mergulhos em tardes de sol e passeios no fresco do verão da nossa adolescência.
Amor esse que vive nas profundezas do nosso coração, grito mudo constante, certeza devida, tatuagem na alma.
Amor esse que não sucumbe à distância nem ao tempo, essas verdades que dizem exactas mas que eu sei que não é assim, que vives em mim e eu em ti e que somos um aqui e lá, acoli e além.

E assim como ela, que há dez anos partiu, assim como esse Amor-Maior nunca morrerá, o nosso também não.

Porque é destes Amores que o Mundo se alimenta e se inspira para continuar a girar. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Outono



Casca bonita sem adivinhar o seu interior.
Luzidia e apelativa aos sentidos, estivesse ou não madura, parece que nunca isso interessou.
Mas a doçura só vem com o tempo.
A casca de tanto proteger só endurece.
Só deixando sair as memórias, histórias, pedaços de alma, bago a bago, me conseguirei reproduzir, deixando estas sementes palavras em terra para renascer.