sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Pão, cão, coração

Pelo ar cheira a pão quente, que me traz à lembrança o lamber dos dedos, besuntados de manteiga, entre mim e o meu cão Bolinha.

"- Oh Cristininha! Oh filha vai lá abaixo buscar uma canhola e uns pãezinhos de maminha que o padeiro já está farto de apitar!"

Comidas entre Lego e figos lampos, as fatias da canhola ainda fervente, sabiam-me como Maná dos Deuses.
As bonecas da Mana lá iam comendo a parte dela, que era pisca e ganeta.

E eu lá ia, pão numa mão, fisga, espada, carro, barco, o Mundo na outra, alegre pelas figueiras, oliveiras, nogueiras que eram casas, barcos, aviões, foguetões.

Com cão por companhia, olhos castanhos leais curiosos com este mundo, esta vida, numa fase plena de descoberta, andávamos os dois pela Quinta, partilhando diospiros caídos de maduros.

Anos depois, o Bolinha foi para o céu dos cães, de onde sei acompanhar-me sempre nas minhas explorações de vida.

A leveza da infância ainda a mantenho no olhar curioso pela vida, pelas pessoas, pelas experiências.
A Quinta hoje é o Mundo lá fora, num plano tão maior quanto desafiante.

E o pão quente continua a fazer as minhas delícias!

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