segunda-feira, 31 de julho de 2017

Recomeça

O teu beijo sabe a amor, sal e sopro de vida.
Bem o sei, tenho-o tatuado como uma queimadura do Sol. Soube bem, até queimar...

Flutuo num sonho de nós, onda forte que me leva até ti, que me enrola pelo fundo do nosso amor, dançando na areia em que construímos a vida.
Revolvo o chão do mar com a minha força de viver, reviro todas as conchas até te voltar a ter, enleio-me nas algas que me querem manter nesta maré de inconstância.

Resisto como nunca, pois sereia que julguei ser, hoje entendo que não posso viver metades.

Na Praia de mim estou segura, nas minhas sombras descanso, no meu sol vislumbro-me, brilho e assim vivo.

No teu Mar eu me quero afogar, nesse abraço que me acolhe mas que escorre entre mim e a vida.

O Mar não é de ninguém, é só teu, és tu e tu não és de ninguém.
Meu sim, mas nunca todo.

E o Mar, a Vida, o Sal, o Sopro... querem-se sempre pelo Todo.

"de nenhum fruto queiras só metade"

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Who's gonna ride my wild horses?










I am dangerous 'cause I'm honest 
I am dangerous, I don't know what I want 
Well I left your heart empty as a vacant lot 
For any spirit to haunt 


Hey hey sha la la 
Hey hey 


I'm an accident waiting to happen 
I'm a piece of glass left in a beach 
Well, I tell you things you know I'm not supposed to 
Then I leave you just out of reach 


Hey hey sha la la 
Hey hey sha la la 


Who's gonna ride my wild horses? 
Who's gonna drown in my blue sea? 
Who's gonna ride my wild horses? 
Who's gonna fall at the foot of me? 


Well I stole it 'cause you needed the cash 
And I killed it 'cause you wanted revenge 
Well I lied to you 'cause you asked me to 
Baby, can we still be friends? 


Hey hey sha la la 
Hey hey sha la la 
Who's gonna ride my wild horses? 
Who's gonna drown in my blue sea? 
Who's gonna ride my wild horses? 


Who's gonna fall at the foot of me? 


Oh, the deeper you spin 
Oh, the hunter will sin for my ivory skin 
Took a drive in the dirty rain 
To a place where the wind calls my name 
Under the trees the river laughing at you and me 
Hallelujah, heavens white rose 
The doors you open 
You just can't close 

Don't turn around, don't turn around again 

Don't turn around, My gypsy heart 
Don't turn around, don't turn around again 
Don't turn around, and don't look back 
Come on now love, don't you look back! 


Who's gonna ride my wild horses? 
Who's gonna drown in my blue sea? 
Who's gonna ride my wild horses? 
Who's gonna fall at the foot of me? 


2U

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Condução de Vida

Ontem foi um dia de viragem na minha vida, por variados motivos.
- Lembro-me quando tiraste a carta, Mãe. A caminho dos teus, com a tua madeixa grisalha como a minha está a ficar.
Custou-te horrores, detestavas conduzir, não atinavas com as manobras, enervavas-te e era a única altura em que dizias asneiras.
"- Mas é algo que tenho de fazer, Filhota"
E é isso que fica.
Ficam as lições, de fazer o que tem de ser feito. Mesmo que custe horrores.
 Porque a soma do que vem de bom é sempre superior a todas as partes juntas do que se conhece.
O desconhecido dá medo.
Meu rico conforto em vez da incerteza.
Mas sabes, Mãe...
Tu partiste, mas deixaste semeado o teu Amor e os teus ensinamentos em todas as Mulheres que me rodeiam!
Avós que sobrevivem à perda de uma Filha preciosa.
Irmãs que se superam e sorriem sempre com ternura.
Primas que carregam Himalaias de angústia.
Madrinhas que custam a acordar do pesadelo.
Amigas que se matam lentamente a defender os filhos.
Tias que calam e continuam.
Cúmplices que são a sua própria Mãe desde pequenas.
Companheiras que carregam a perda da inocência como se fossem elas as grandes pecadoras.
Filhas que perdem o pilar, que se sustentam e reerguem como a Fénix que sempre foste.
- porque há coisas que têm de ser feitas.
E outras que têm de ser ditas.
Porque nunca se está tão sozinha como na profundeza do nosso Silêncio.
Porque nunca se está tão abraçada como na Sororidade.
às minhas Guerreiras
a ti Mãe
a nós
a mim
a música que teimou em fazer-se ecoar o dia todo de ontem desde sempre e ainda:

Hymn to Her
"Let me inside you
Into your room
I've heard it's lined
With the things you don't show
Lay me beside you
Down on the floor
I've been your lover
From the womb to the tomb
I dress as your daughter
When the moon becomes round
You be my mother
When everything's gone
And she will always carry on
Something is lost
But something is found
They will keep on speaking her name
Somethings change
Some stay the same
Keep beckoning to me
From behind that closed door
The maid and the mother
And the crone that's grown old
I hear your voice
Coming out of that hole
I listen to you
And I want some more
I listen to you
And I want some more
She will always carry on
Something is lost
But something is found
They will keep on speaking her name
Some things change
Some stay the same
She will always carry on
Something is lost
But something is found
They will keep on speaking her name
Some things change
Some stay the same
Let me inside you
Into your room
I've heard it's lined
With the things you don't show
Lay me beside you
Down on the floor
I've been your lover
From the womb to the tomb
I dress as your daughter
When the moon becomes round
You be my mother
When everything's gone
And she will always carry on
Something is lost
But something is found
They will keep on speaking her name
Some things change
Some stay the same
She will always carry on
Something is lost
But something is found
They will keep on speaking her name
Some things change
Some stay the same
And she will always carry on
Something is lost
But something is found
They will keep on speaking her name
Some things change
Some stay the same"

terça-feira, 23 de maio de 2017

PATCFMDC


                                                              E se o Amor primeiro for o derradeiro?
Não quis acreditar que pudesse estar a receber tamanha bênção em tão tenra idade, eu, a patita feia, gordinha, de letras e puzzles, de brincar na quinta e contar histórias para dentro. Eu que nunca sonhei ser princesa e que olhava de lado as magrinhas, loirinhas, fofinhas, nada desastradas como eu, misses simpatias da escola mas que no fundo sempre quis aquele sentimento, o de ser aceite.
E tu, debaixo da tua caixa de óculos, do dentinho maroto, do cabelo mais para lá do que para cá, viste-me.
Não olhaste de soslaio, não viraste a cara, não gozaste comigo, olhaste e viste o meu verdadeiro Eu - ainda hoje vês mais e melhor que ninguém!
Desde que te vi, desde que me deste um beijinho tímido debaixo da toalha de praia, desde que me ias acompanhar a casa todos os dias de bicicleta ao lado, desde todos os cigarros fumados às escondidas, desde todas as escapadelas dos Pais, desde todos os copos bebidos, desde todas as músicas dançadas, desde todas as confissões e comunhões atrás da Igreja, desde todos os braços dados em festas, avenidas, funerais que te Amo.
Amo-te por me veres para lá do que aparento e tento mostrar. Amo-te mesmo naquele lugar escuro atrás do meu coração, aquele onde choro sozinha todas as dores que carrego.
                                                      Que passem mais dez anos, dois séculos, três vidas!
Eu sou Tua e tu Meu até ao fim das gotas de orvalho que se tornam geada nos campos, até ao fim dos raios de sol que seca os figos, até ao fim do luar que banha a margens do nosso rio, nos banquinhos atrás dos baloiços...

quarta-feira, 8 de março de 2017

Tainted Love




Sinto-as todos os dias.

Sei que te consigo encontrar no fundo de um copo, entre mágoas e manchas de vinho, lágrimas e gotas caídas.

Prefiro encontrar-te no brilho do meu olhar outrora reflexo do teu, hoje azul baço de fumo como neblina de alvorada.

Contigo tenho aprendido lições nem sempre fáceis: a da aceitação do outro como é, o nutrir relações em distância quilométrica e o viver em sociedade dentro do nosso próprio paradigma.

Metade da metade de cima do meu coração pertence-te, inexoravel e inconfundivelmente.