terça-feira, 23 de maio de 2017

PATCFMDC


                                                              E se o Amor primeiro for o derradeiro?
Não quis acreditar que pudesse estar a receber tamanha bênção em tão tenra idade, eu, a patita feia, gordinha, de letras e puzzles, de brincar na quinta e contar histórias para dentro. Eu que nunca sonhei ser princesa e que olhava de lado as magrinhas, loirinhas, fofinhas, nada desastradas como eu, misses simpatias da escola mas que no fundo sempre quis aquele sentimento, o de ser aceite.
E tu, debaixo da tua caixa de óculos, do dentinho maroto, do cabelo mais para lá do que para cá, viste-me.
Não olhaste de soslaio, não viraste a cara, não gozaste comigo, olhaste e viste o meu verdadeiro Eu - ainda hoje vês mais e melhor que ninguém!
Desde que te vi, desde que me deste um beijinho tímido debaixo da toalha de praia, desde que me ias acompanhar a casa todos os dias de bicicleta ao lado, desde todos os cigarros fumados às escondidas, desde todas as escapadelas dos Pais, desde todos os copos bebidos, desde todas as músicas dançadas, desde todas as confissões e comunhões atrás da Igreja, desde todos os braços dados em festas, avenidas, funerais que te Amo.
Amo-te por me veres para lá do que aparento e tento mostrar. Amo-te mesmo naquele lugar escuro atrás do meu coração, aquele onde choro sozinha todas as dores que carrego.
                                                      Que passem mais dez anos, dois séculos, três vidas!
Eu sou Tua e tu Meu até ao fim das gotas de orvalho que se tornam geada nos campos, até ao fim dos raios de sol que seca os figos, até ao fim do luar que banha a margens do nosso rio, nos banquinhos atrás dos baloiços...

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